8 de diciembre de 2011

A você:


Decidi escrever esta carta pra você, você que está em algum lugar deste planeta. Acho que é importante que você saiba algumas coisas antes de me abordar, acho que desse jeito pouparemos tempo perdido em desilusões. Economia de lamentos por tempo perdido.
Quando você me encontrar saberá que sou eu porque vou estar com sapatos coloridos, nunca saberei onde estão os pares de meias iguais, farei muitos gestos quando falar, falarei muito alto e, provavelmente, enquanto estiver caminhando do seu lado, tropicarei com várias coisas. E por último, porem não menos importante, você saberá que sou eu porque olharei tão profundo nos seus olhos enquanto você estiver falando que te deixarei nervoso, tão nervoso que você saberá que sou eu.
Garanto-te que o tempo que você passar comigo não será 100% feliz, vamos ter discussões e brigas, garanto que haverá momentos nos quais odiarei seu sorriso e você não vai querer me ver dançar na cozinha enquanto eu esquento no micro a comida do dia anterior. Mas, nesses momentos, tanto eu quanto você, saberemos que o dia da reconciliação será o melhor de todos, afinal não sabemos viver sem “nós”.
Prometo a você muita bagunça, nossos horários nunca serão pré-estabelecidos, nossos planos mudarão muito no caminho.
Nossa vida nunca aparecerá na capa da ¡HOLA! Não vamos ter filhos perfeitos, nem uma Mercedes Benz ou uma casa em París. Provavelmente moremos em alguma casinha de algum povinho acolhedor ou em algum apartamento no centro de alguma cidade com praia, nossos filhos terão gostos esquisitos para suas idades e as paredes da nossa casa estarão pintadas com o melhor estilo do Jackson Pollock, porque foi assim que as pintamos quando compramos o AP.
Garanto a você tardes de Domingo divertidas. Dançaremos na nossa sala ouvindo a primeira música que tocar quando ligarmos o rádio. Quando estivermos já cansados deitaremos no chão e contaremos as rachaduras que haverá no teto por causa da filtração que tem o apartamento da vizinha do andar de cima. Em algum momento você começará a fazer cócegas em mim e, sempre, terminaremos nos beijando como no primeiro dia.
Haverá dias nos quais passaremos a tarde na janela e imaginaremos histórias para as pessoas que estão na rua.
Na nossa casa sempre haverá flores, porque eu gosto, e caso você seja alérgico, também terei sempre um comprido para te dar.
Acho bom você saber que não quero que gaste o seu salário em nenhuma caixinha vermelha com uma pedra brilhante dentro, sempre vou preferir que você pegue na minha mão, me leve pro cinema e prepare o jantar pra mim. E que, quando formos dormir, e eu ainda estiver abalada pelo final do filme, você compreenda e me abrace.

Quando sairmos e começar a chover, não espere que eu vá para debaixo de algum tetinho de alguma loja cheia de gente, eu convidarei você para caminhar até casa debaixo da chuva e quando chegarmos, feito dois pingüins, vamos nos amar em dobro debaixo do chuveiro quentinho.
Antes de dormir, não vamos falar dos nossos problemas no trabalho, eu vou querer que você leia pra mim aquele poema pelo qual se apaixonou desde os 15 anos.
Quando a gente virar avós, os nossos netos vão pensar que estamos loucos, doidos, mas vão rir tanto com a gente que só vão querer compartilhar essas loucuras.
E quando eu morrer, primeiro do que você, você estará tranqüilo porque saberá que a nossa vida foi única, cheia de problemas resolvidos, danças na sala, livros velhos, tardes de filmes, resfriados curados com amor e brigas que acabaram com um beijo. Você jogará minhas cinzas pro mar tendo a certeza de que não haveria uma vida melhor compartilhada.
Agora que você já sabe tudo, se estiver disposto, seja bem-vindo. Talvez você seja o grande amor da minha vida.

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